Mapa de votos 2026 em Hortolândia

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Quanto mais quente a cor, mais votos da seleção naquele território. Em % no local, o mapa mostra a fatia que a candidatura teve entre os votos válidos de cada local — o que revela força relativa, não só onde há mais eleitores. A escala de cada mapa ignora os 2% de valores mais extremos para que um local atípico não apague o restante. Os pontos marcam locais de votação, não endereços de eleitoras e eleitores. Fonte: TSE, resultados por seção eleitoral, 1º turno de 2026.

O voto é um direito político. A política é uma construção cotidiana e coletiva.

Uma reflexão sobre as eleições, a abstenção em Hortolândia e a necessidade de organização popular

Nas eleições de 2026, Hortolândia registrou um número que merece nossa atenção: 31.721 pessoas deixaram de comparecer às urnas, o equivalente a 19,29% dos 164.481 eleitores aptos a votar. Além disso, foram registrados 3.045 votos brancos e 3.915 votos nulos. Somados, esses números representam 38.681 eleitores, aproximadamente 23,52% do eleitorado municipal, que não expressaram uma escolha válida nas urnas.

Em outras palavras, quase um em cada quatro eleitores de Hortolândia não participou da escolha eleitoral por meio de um voto válido. É importante reconhecer que abstenções, votos brancos e votos nulos não possuem necessariamente o mesmo significado político. Entretanto, esses números nos convidam a refletir sobre a relação da população com a política, sobre os limites da democracia representativa e, sobretudo, sobre a responsabilidade das organizações de esquerda na construção de uma sociedade mais democrática.

É comum ouvirmos que as pessoas não gostam de política, que todos os políticos são iguais ou que votar não muda absolutamente nada. Essas afirmações, embora compreensíveis diante das frustrações acumuladas pela população, escondem uma contradição fundamental: mesmo quando decidimos não participar da política eleitoral, continuamos submetidos às decisões políticas que organizam nossas vidas.

O preço dos alimentos, a qualidade da educação pública, o funcionamento do SUS, as condições de trabalho, o transporte coletivo, a moradia e até mesmo a possibilidade de termos tempo livre são questões atravessadas por decisões políticas. Não participar das eleições não significa deixar de sofrer suas consequências.

Por isso, precisamos defender o voto e conscientizar para que mais pessoas votem no segundo turno, ainda mais em momentos onde tantos direitos estão sendo ameaçados. Não porque acreditamos que somente as eleições sejam capazes de resolver as contradições da sociedade, mas porque reconhecemos que o direito de votar é uma conquista histórica das classes trabalhadoras e dos movimentos populares e que essa é uma parte da vida política, não toda ela.

A participação política, entretanto, não acontece em condições iguais para todos. As desigualdades sociais, econômicas e educacionais também influenciam as possibilidades das pessoas de participarem dos processos eleitorais, isso ajuda a explicar a grande taxa de abstenção nas camadas mais populares. O afastamento de determinados grupos das urnas pode, portanto, aprofundar as desigualdades de representação e ampliar ainda mais a distância entre as instituições políticas e as necessidades da população.

Afinal, quando uma parcela significativa da população deixa de participar das decisões eleitorais, quem continua decidindo os rumos da sociedade?

Entretanto, defender a importância do voto não significa romantizar a democracia em que vivemos, afinal ela é ainda burguesa. O voto representa uma conquista democrática fundamental, mas seu exercício acontece dentro de uma sociedade profundamente desigual, na qual o poder econômico influencia as disputas políticas e limita as possibilidades de participação popular. Mas ainda assim é um mecanismo de participação.

Essa contradição precisa ser compreendida pela esquerda liberal e organizada em partidos. As eleições podem representar instrumentos importantes para a defesa de direitos políticos e sociais, para o enfrentamento de projetos autoritários e para a ampliação da representação das classes trabalhadoras. Contudo, a participação eleitoral, isoladamente, não é suficiente para transformar as estruturas sociais responsáveis pela produção e reprodução das desigualdades.

Historicamente, a conquista do sufrágio universal esteve associada às lutas dos trabalhadores por participação política. A ampliação dos direitos eleitorais não foi uma concessão espontânea das classes dominantes, mas resultado de processos de organização e mobilização popular. Nesse sentido, a conquista do direito ao voto deve ser compreendida como parte de uma luta mais ampla pela democratização da sociedade. Por isso, para as elites, é importante que essa conquista seja esvaziada, seja mais um momento sem relação com o restante de nossas vidas ou que seja o único momento do que chamamos de "política".

A questão, portanto, nunca foi simplesmente escolher entre participar ou não das eleições. A questão fundamental é compreender como a participação eleitoral pode estar articulada a um projeto muito mais amplo de transformação social. E é justamente nesse ponto que precisamos fazer uma crítica à própria esquerda.

Durante muito tempo, parte significativa das organizações progressistas concentrou seus esforços nas disputas eleitorais, enquanto a organização popular nos bairros, nas escolas, nos locais de trabalho e nos espaços comunitários foi perdendo centralidade.

A cada dois anos, vemos campanhas eleitorais mobilizando recursos, militantes, discursos e promessas. As ruas recebem bandeiras, panfletos e candidatos. As periferias voltam a ser visitadas, seus moradores são convidados a participar de reuniões e suas necessidades passam a ocupar os discursos políticos.

Mas o que acontece depois das eleições?

Quantas dessas organizações permanecem nos bairros? Quantas continuam dialogando com a população? Quantas constroem espaços permanentes de formação política, educação popular, cultura, solidariedade e organização coletiva? Não se trata de desconsiderar a importância dos partidos políticos ou das disputas institucionais. Trata-se de reconhecer que nenhuma transformação social profunda será construída exclusivamente por meio das urnas, é fundamental se organizar.

A esquerda não pode aparecer na vida das pessoas apenas quando precisa de seus votos. Precisa estar presente quando falta uma vaga na escola, quando o trabalhador enfrenta condições injustas, quando a juventude não encontra oportunidade, quando a cultura é abandonada e quando os direitos sociais são ameaçados.

Precisamos reconhecer também que o afastamento de parte da população da política não pode ser explicado simplesmente pela falta de consciência dos eleitores. Muitas vezes, ele expressa o distanciamento entre as organizações políticas e a realidade cotidiana das classes populares.

Não basta exigir que as pessoas votem. Precisamos construir razões concretas para que elas reconheçam que se organizem é uma possibilidade de transformação de suas próprias vidas. E isso não se faz apenas com discursos, publicações nas redes sociais ou campanhas eleitorais. Faz-se com trabalho de base, escuta, formação, solidariedade e organização coletiva para a autogestão das nossas próprias vidas.

A política não acontece somente de quatro em quatro anos. A política acontece todos os dias.

Ela acontece quando moradores se organizam para reivindicar melhorias no bairro. Quando os estudantes lutam por uma educação pública de qualidade. Quando os trabalhadores se mobilizam por melhores condições de trabalho. Quando mulheres se organizam contra a violência. Quando a juventude ocupa espaços culturais. Quando educadores e educandos dedicam parte de seu tempo à construção de uma educação popular e emancipadora.

Essas experiências demonstram que a política não pertence exclusivamente aos partidos, aos governos ou aos parlamentos. Ela pertence também à população organizada, que reconhece seus problemas comuns e constrói coletivamente caminhos para enfrentá-los.

É nesse sentido que defendemos a importância dos coletivos populares e das organizações de esquerda. São esses espaços que podem transformar indignação em ação, insatisfação em participação e demandas individuais em lutas coletivas.

Em Hortolândia, o Coletivo de Educação Popular Flor de Maio procura contribuir para essa construção.

Desde 2013, desenvolvemos um trabalho de organização popular que tem na educação uma de suas principais frentes de atuação, mas que não se limita a ela. Por meio do cursinho popular, das atividades culturais, das formações políticas, de oficinas, das iniciativas comunitárias e de diferentes projetos construídos coletivamente, buscamos fortalecer a participação popular e ampliar as possibilidades de transformação social em nosso território.

Não acreditamos que a educação, isoladamente, seja capaz de superar todas as desigualdades sociais. Tampouco acreditamos que um coletivo, sozinho, possa transformar a realidade de uma cidade. Mas acreditamos profundamente na capacidade das pessoas de se organizarem, compartilharem conhecimentos, construírem vínculos de solidariedade e lutarem por uma sociedade mais justa.

O CEP Flor de Maio não é apenas um espaço de preparação para o vestibular. É também um espaço de encontro, formação, convivência, participação e construção coletiva.

E é justamente essa experiência que queremos ampliar.

Os números das abstenções em Hortolândia devem servir como um alerta, mas não como uma oportunidade para condenar aqueles que deixaram de votar. Precisamos compreender as razões desse afastamento e assumir nossa responsabilidade na construção de alternativas. O alto número de abstenções significa que essa política eleitoral, partidária está esvaziada e distante da população.

Não queremos apenas que mais pessoas compareçam às urnas no segundo turno ou nas próximas eleições. Queremos que mais pessoas participem das decisões que afetam suas vidas. Que se organizem em seus bairros, que construam movimentos populares, que participem de coletivos, sindicatos, associações e organizações comprometidas com a transformação da sociedade.

Queremos que compreendamos que sua participação política não começa nem termina diante de uma urna eletrônica de quatro em quatro anos, mas sim na construção da organização coletiva diária.

Por isso, nosso convite é simples: vote, participe e organize-se.

Se você acredita na educação pública, na cultura popular, na igualdade social, na democracia e na construção de uma sociedade sem exploração e opressão, venha conhecer o CEP Flor de Maio.

Não é necessário ter experiência política, conhecer teorias revolucionárias ou possuir formação acadêmica. É necessário apenas ter disposição para aprender, para ensinar, compartilhar, participar e construir coletivamente.

Precisamos de pessoas dispostas a dedicar parte de seu tempo à transformação da realidade. Pessoas que compreendam que a política também se faz nas pequenas tarefas, nas reuniões, nas aulas, nas atividades culturais, nas conversas e na organização cotidiana.

Afinal, uma sociedade diferente não será construída apenas pela escolha de representantes, mas pela participação ativa daqueles que desejam transformá-la.

Nas eleições, nosso voto importa. No cotidiano, nossa organização é indispensável.

Venha construir o CEP Flor de Maio. Porque a transformação social não acontece apenas nas urnas. Ela começa quando o povo se organiza.